É o principal atrativo da cidade e o motivo pelo qual Torres não se parece com nenhuma outra praia do Brasil: as falésias basálticas que caem direto no mar não existem em nenhum outro ponto do litoral brasileiro. A rocha ali tem cerca de 150 milhões de anos.
O parque foi criado pelo Decreto Estadual nº 21.540, de 28 de dezembro de 1971, e o projeto paisagístico é assinado por Burle Marx, o mesmo do calçadão de Copacabana. Em 14 de outubro de 1981 a área foi declarada de interesse turístico especial pelo Estado.
Dentro do parque estão a Praia da Guarita, a Torre Sul e a Torre do Meio. Na Torre Sul há uma escadaria de mais de 100 degraus que leva ao topo do paredão, de onde se vê o mar quebrando na pedra lá embaixo. Vá no fim da tarde: a luz bate de lado nas falésias.
A cidade se chama Torres por causa delas. São três formações rochosas alinhadas à beira-mar que, vistas de longe, parecem torres — e é assim que aparecem descritas em documentos da administração colonial e imperial.
São elas: a Torre Norte, que é o Morro do Farol; a Torre do Meio, o Morro das Furnas; e a Torre Sul, onde fica a Praia da Guarita.
Percorrer as três em um mesmo dia é o passeio clássico de quem chega a Torres pela primeira vez.
O ponto mais carregado de história da cidade. Antes de qualquer construção, o morro abrigou um cemitério indígena — sinal de ocupação humana muito anterior à colonização.
Em 1777 foi erguido ali o Forte de São Diogo, posição militar que aproveitava a vista privilegiada sobre o mar. O primeiro farol foi construído em 1911, e é dele que vem o nome pelo qual o morro é conhecido até hoje.
Do alto se vê a Praia Grande de um lado e, em dias limpos, a Ilha dos Lobos no horizonte.
A Torre do Meio fica entre a Praia da Cal e a Praia da Guarita e é a maior das três: são cerca de 800 metros de extensão.
O nome vem das furnas — cavidades abertas na rocha pela ação do mar ao longo de milhares de anos. No topo há um platô com trilha, uma das melhores caminhadas da cidade, com vista para as duas praias ao mesmo tempo.
O nome vem da forma: vista de cima, a lagoa lembra um violão. Nem sempre se chamou assim — por muito tempo foi Lagoa das Torres, e também é conhecida como Lagoa da Vila.
Sobre a origem geológica, o historiador Ruy Ruben Ruschel, no livro Torres tem história, aponta que ela pode ter se formado pelo represamento das águas interiores durante a formação das restingas litorâneas.
E existe a versão romântica, que os moradores contam há gerações: uma moça apaixonada teria chorado dias abraçada ao violão do amado, e das lágrimas nasceu a lagoa com o formato do instrumento.
Hoje é o cartão-postal do dia a dia da cidade: pista de caminhada, esportes náuticos e o pôr do sol mais fotografado de Torres — tudo a um minuto a pé da pousada.
A única ilha marítima do Rio Grande do Sul, a 1,8 km da costa. É uma unidade de conservação federal — Refúgio de Vida Silvestre, administrado pelo ICMBio.
O nome vem dos lobos-marinhos e focas que usam a ilha como descanso na migração vinda do sul. Há registros desde 1797 da presença desses animais ali.
Não é permitido desembarcar, mas dá para avistar a ilha do alto dos morros e há saídas de barco que se aproximam. No inverno as chances de ver os lobos são maiores.
O nome não tem nada de poético — é história econômica. Até a década de 1940 funcionavam ali fornos de queima de conchas, retiradas dos sambaquis da região, para a produção de cal.
Sambaquis são montes de conchas acumulados por populações indígenas ao longo de milhares de anos. Em Torres eles viraram matéria-prima — e deixaram o nome na praia.
Hoje é uma das praias mais urbanizadas de Torres, com boa infraestrutura de bares e restaurantes, e fica bem ao lado do Parque da Guarita.
É a praia urbana de Torres, colada ao centro da cidade e a mais movimentada no verão. A orla concentra quiosques, calçadão e a maior parte da estrutura de veraneio.
De um extremo se vê o Morro do Farol; do outro, a sequência de morros que formam o cartão-postal da cidade. É a escolha de quem quer praia sem precisar de carro.
Conhecida também como Praia do Meio, é pequena e protegida: cerca de 500 metros de extensão e uma orla de pedras que quebra a força do mar. Por isso é a preferida das famílias com crianças.
Fica entre a Praia Grande e a Praia da Cal, encaixada entre os morros — e é ali que está o letreiro TORRES, a foto obrigatória de quem visita a cidade.
A 12 minutos a pé da pousada.
Os molhes são estruturas de pedra que protegem a foz do Rio Mampituba — o mesmo rio que marca a divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Você atravessa uma ponte e muda de estado.
É ponto tradicional de pesca e de caminhada ao entardecer. A região é frequentada por golfinhos, que aparecem com alguma constância nas águas próximas.
Criado em 12 de dezembro de 2002, protege quase mil hectares de restinga e Mata Atlântica no litoral norte gaúcho, já na divisa com Santa Catarina — com dunas, lagoas e praia.
O parque abriga espécies ameaçadas de extinção, entre elas o macaco-prego-de-crista e o gato-do-mato-pequeno. Tem trilhas monitoradas e é a melhor parada para quem gosta de observação de fauna e flora.
São cerca de 6 quilômetros de praia dentro do Parque Estadual de Itapeva. É conhecida como Praia de Fora justamente por ficar fora do perímetro urbano.
Aqui não há quiosque, calçadão nem guarda-sol para alugar: é mar aberto, ondas fortes e dunas até onde a vista alcança. Vale para quem quer caminhar quilômetros sem encontrar ninguém — e é o oposto exato da Praia Grande no auge do verão.
Por não ter infraestrutura e ter mar agitado, não é indicada para banho com crianças pequenas.
É a forma menos óbvia e mais bonita de ver Torres: do mar. Os barcos saem da barra do Rio Mampituba e contornam a costa, passando pela Praia do Farol, Praia Grande, Praia da Guarita e Praia da Cal.
Ver as três torres de basalto a partir da água é uma perspectiva completamente diferente da que se tem do alto dos morros — dá para entender por que a cidade recebeu esse nome.
Há também a saída específica até a Ilha dos Lobos, que chega perto o suficiente para ver os lobos-marinhos nas pedras. No inverno as chances de avistá-los são maiores.
Quem faz o passeio: os passeios são operados pela Barcos Marina, que sai do cais no Rio Mampituba. Consulte horários e valores direto com eles.
A primeira igreja de Torres, construída em 1824. Foi ela que fez a cidade existir: a construção atraiu os moradores dispersos pela região e deu origem ao povoado.
O nome une as duas referências que explicam Torres — São Domingos, o santo invocado na criação da capela, e as "Torres", como as falésias junto ao mar eram chamadas nos documentos coloniais. Daí o nome original do lugar: São Domingos das Torres.
Realizado anualmente desde 1989, é o maior festival de balonismo da América Latina e rendeu a Torres o título de Capital Brasileira do Balonismo.
Acontece em abril, em torno da Semana Santa, e reúne pilotos do mundo inteiro. O céu da cidade amanhece tomado de balões — e essa é, disparado, a semana mais concorrida do ano.
Se você pretende vir no Balonismo, reserve com meses de antecedência. As acomodações da cidade esgotam cedo.
Quer sobrevoar Torres de balão?
Voos com a Sky Road, parceira especializada em balonismo na região.
Voe de balão ↗
Antes de ser destino de praia, Torres foi fronteira, passagem de tropeiros e posto militar. A cidade que hoje recebe turista do estado inteiro nasceu de um caminho que os indígenas abriram e que os portugueses aproveitaram para tomar um território que, no papel, nem era deles.
Antes de tudo: os donos da terra
A região era fronteira da nação indígena ibirajara, que dominava até o Rio Mampituba, tendo os patos — ou carijós — ao norte. Foram eles que abriram as trilhas pelo estreito corredor de planície entre a serra e o mar.
No século XVII essas mesmas trilhas viraram o caminho dos portugueses que subiam e desciam o litoral — apesar de o Tratado de Tordesilhas colocar aquelas terras do lado espanhol. Vinham tropeiros atrás do gado que se multiplicava solto no pampa, e vinham também caçadores de escravos atrás dos índios. O resultado foi o despovoamento indígena da região: os que não foram mortos ou capturados fugiram serra acima.
O forte, a igreja e a vila
Por ser passagem obrigatória, o lugar ganhou importância militar. Em meados do século XVIII foram instalados ali a Guarda e Registro e o Forte de São Diogo das Torres, no alto do Morro do Farol, para fiscalizar quem passava e defender a fronteira.
Em 1818 o Marquês de Alegrete autorizou a formação do povoado e a construção de um templo; por volta de 1820 começou a ocupação de fato. Com a Igreja de São Domingos, erguida em 1824, os moradores dispersos se reuniram em torno dela — e foi assim que a vila existiu. Depois vieram os imigrantes italianos e alemães.
A emancipação que aconteceu duas vezes
Em 1837 o povoado virou freguesia. Em 21 de maio de 1878, pela Lei nº 1.152, a freguesia de São Domingos das Torres foi elevada a vila, separando-se de Conceição do Arroio — a atual Osório.
Durou pouco: em 1887 o município foi extinto e o território voltou a pertencer a Conceição do Arroio. Só em 1890 Torres voltou a ser município, já com o nome que tem hoje. Por isso se diz que a cidade nasceu duas vezes.
Quando Torres virou praia
A economia era pesca e agricultura de subsistência. A virada veio em 1915, com José Antônio Picoral — filho da colônia de São Pedro de Alcântara que virou comerciante próspero em Porto Alegre e foi o primeiro a enxergar o potencial turístico daqui. Ele instalou o Balneário Picoral, com sede no Hotel Voges, logo rebatizado Hotel Picoral: o maior empreendimento turístico do estado na época.
Em 1936 nasceu a SAPT — Sociedade Amigos da Praia de Torres, de gente que apostava no desenvolvimento da cidade. Nos anos 1950 a SAPT ergueu, à beira do Rio Mampituba, um dos maiores edifícios da América do Sul à época — o prédio que até hoje abriga o Grande Hotel Torres.
A cidade de hoje
O primeiro farol subiu no morro em 1911. O Parque Estadual da Guarita foi criado em 1971, com projeto paisagístico de Burle Marx. O Festival de Balonismo começou em 1989 e rendeu à cidade o título de Capital Brasileira do Balonismo. O Parque Estadual de Itapeva veio em 2002.
De rota de tropeiro a principal destino de praia do Rio Grande do Sul, foram pouco mais de duzentos anos — e as três torres de basalto que deram nome a tudo continuam exatamente onde estavam.
Torres é só uma esquina de uma província que levou mais de um século para virar estado. O mapa de 1860 acima mostra a São Pedro do Rio Grande do Sul de então: um território de fronteira viva com Argentina e Uruguai, cortado por rotas de tropeiro e recém-saído das Guerras Farroupilha (1835–1845) e do Paraguai (1864–1870).
A costa mais perigosa do Brasil
O litoral gaúcho é reto, raso e praticamente sem baías ou portos abrigados — uma combinação que, somada a ressacas, ciclones e bancos de areia, fez dele a costa com mais naufrágios do país. Entre 1775 e 2004 foram registrados 242 acidentes marítimos na região, o suficiente para o trecho ganhar o apelido de "cemitério de navios".
Entre os naufrágios mais lembrados estão o navio inglês Prince of Wales, em 1861, e o vapor brasileiro Rio Apa, que afundou em 1887 numa tempestade violenta, matando 119 pessoas. Mais ao sul, os destroços do cargueiro Mount Athos ainda descansam na praia, perto do Farol da Solidão.
O segundo mapa acima é uma ilustração de época sobre os naufrágios do litoral gaúcho — os nomes e datas de navios nele são estilizados e não devem ser lidos como registro histórico exato. Os fatos e datas citados no texto acima foram verificados em fontes separadas.